Rodrigues Jr.

27/07/2018
Quando especialistas têm vantagem sobre generalistas, e vice-versa

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Estudos divergem sobre o que é mais importante para gerar criatividade e inovação: ser um profissional especialista em uma determinada área ou ter um perfil mais generalista, com visão ampla de diversos assuntos?

Uma nova pesquisa de professores da britânica London Business School e da americana Marshall School of Business aponta que os dois lados têm razão, só depende do contexto. Em especial, da velocidade com que mudanças atingem o mercado em que o profissional está inserido.

Quanto mais aceleradas as mudanças de um setor, mais vantagem têm profissionais especialistas. Já os generalistas conseguem mais sucesso em áreas com desenvolvimento lento e estável.

Para testar a teoria, os pesquisadores analisaram o campo da matemática teórica antes e depois da queda da União Soviética, que por muito tempo manteve pesquisas de ponta na área sob sigilo. O período foi escolhido pelo impacto que a abertura da região teve em diferentes sub-áreas teóricas – aquelas em que os russos estavam mais avançados do que o ocidente se desenvolveram mais rapidamente, enquanto aquelas em que o ocidente estava na dianteira mantiveram um ritmo mais lento de evolução.

O estudo analisou o desempenho acadêmico de 4 mil pesquisadores de diferentes áreas entre 1980 e 2000, medindo a publicação de artigos e o número de citações acumuladas.

Os resultados apontam que, em áreas não sofreram muitas mudanças, pesquisadores generalistas tiveram um desempenho melhor do que os colegas com perfil mais especialista. Esse efeito já acontecia antes da abertura da União Soviética e se tornou mais forte após a entrada de pesquisadores russos no meio.

Já nas disciplinas que se desenvolveram mais aceleradamente, o oposto aconteceu. Anteriormente, pesquisadores com perfil especialista eram um pouco mais produtivos academicamente do que os generalistas, mas após a queda da União Soviética, essa distância aumentou. Entre 1989 e 2000, especialistas passaram a produzir até 83% mais artigos com relevância (medida pelo número de citações), enquanto os generalistas viram sua produção cair, gerando menos artigos do que os pesquisadores com perfil parecido que atuavam nas áreas com crescimento mais lento.

Os autores do estudo, que será publicado na “Administrative Science Quarterly”, afirmam que os resultados podem ajudar companhias na composição de áreas de pesquisa e desenvolvimento. “Enquanto generalistas podem recorrer a elementos que estão além do domínio tradicional da empresa, especialistas potencialmente são melhores em tirar vantagem da emergência de novos componentes. Ambos conjuntos de habilidades podem ser valiosos”, escrevem.

Fonte: Valor Econômico, por Letícia Arcoverde, 17.07.2018...