Rodrigues Jr.

01/07/2016
Empregados sofrem com fantasma do desemprego e acúmulo de função.

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A falta de emprego não afetou apenas que perdeu a posição e busca uma nova vaga no mercado de trabalho. Quem está empregado também sofre com os efeitos da crise: 56% dos empregados estão acumulando funções e atividades de outras pessoas, e metade constatou que os colegas de trabalho estão com medo de perder o emprego.

“Para aqueles que conseguiram resistir ao corte e às demissões, há muita incerteza nesse momento. Quem está empregado acaba trabalhando sob pressão e com a desconfiança de que pode ser desligado a qualquer momento. Isto é ruim para o funcionário, que acaba produzindo menos, e também para a empresa, que pode ter uma equipe desmotivada e com baixa estima”, explica Rafael Urbano, coordenador da pesquisa na VAGAS.com.

A pesquisa questionou como está o clima de trabalho na empresa desses empregados. Metade informou que as pessoas estão com medo de perder o emprego. Para 27%, o ambiente é de pessimismo e outros 23% relataram que há um tom otimista e que o cenário irá mudar.

Do total das empresas que passam por retração ou endividamento (42%), o estudo procurou aprofundar essa questão e saber como essas companhias estão se adequando à situação do mercado. Dos funcionários que trabalham nessas companhias, 72% informaram que há corte e redução de custos. Metade disse que a adequação passa pela demissão de pessoal. O aproveitamento de recursos internos é uma alternativa para 21%. A renegociação de dívidas é realidade para 14%. Engajando os profissionais para enfrentar o momento atual é resposta de 9% e capacitando os empregados, 4%.

O reajuste salarial também passou longe das empresas nos últimos 12 meses. Do total de empregados, 67% informaram que não tiveram nenhum tipo de aumento em um ano. Por conta desse quadro, 54% acreditam que não terão reajuste neste ano.

“Em momentos de crise e adversidades, as empresas têm de recorrer a alternativas que viabilizem a continuidade de seus negócios, a sustentabilidade da operação. E isso pode significar o desligamento de pessoas, que muitas vezes é um processo difícil já que envolve relações humanas. Mas há outras alternativas que podem ajudar a diminuir esse quadro de demissões. O que vimos é que há outras possibilidades que vão além do corte de funcionários”, conta Urbano.

O levantamento foi realizado de 5 a 11 de abril deste ano com 2.690 pessoas. Desse total, 54% é composto por homens e 46% por mulheres. A idade é média de 32 anos, com nível superior (58%), sem filhos (64%) e desempregados (68%).

Complemento de renda

Mesmo estando empregado, muita gente procurou uma segunda atividade para complementar a renda. De acordo com os dados apresentados, um em cada três (34%) está nesse tipo de situação. As funções que mais apareceram como trabalho extra foram: vendas/ comercial, trabalhos técnicos, serviços gerais/ ajudantes, aulas/monitoria, consultoria, atendimento/ atendente, freelancer, entre outros.

“As pessoas não estão esperando ficar desempregadas para buscar uma outra ocupação, mesmo que temporária. É um movimento ativo e que mostra que o brasileiro precisa cada vez mais ser versátil e dinâmico para honrar seus compromissos e manter seu padrão de consumo”, analisa o coordenador.

Fonte: G1, 30.06.2016...