Rodrigues Jr.

17/06/2016
F&A e terceirização aumentam riscos de corrupção nas empresas.

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Consultoria especializada na área de riscos, a Kroll lançou a edição 2016 do Anti-Bribery and Corruption Report, produzido em parceria com Instituto Ethisphere. O relatório mostra que 54% dos 267 profissionais ouvidos sentem que suas empresas não estão em conformidade com os riscos globais de suborno e corrupção e 40% acreditam que os riscos de suborno e corrupção de suas empresas irão aumentar em 2016.

A maioria dos entrevistados – 52% – tem sede na América do Norte; onze têm sede no Brasil, 108 têm operações e 114 afirmam conduzir negócios no país. No grupo, composto majoritariamente por executivos de nível sênior que atuam nas áreas de ética, compliance e anticorrupção, foram citados dois fatores que desempenham papel fundamental no aumento de riscos: um número cada vez maior de contratação de terceirizados e a expansão global.

Um em cada quatro participantes não expressou confiança na capacidade dos controles atuais de sua empresa para detectar violações de leis anticorrupção por terceiros. Outro dado mostra que 47% não têm recursos suficientes para apoiar os esforços anticorrupção da sua companhia.

Esse quadro é alarmante, dado o fato de que 75% dos casos estrangeiros de suborno envolvem pagamentos através de terceiros. E, no Brasil, o volume de terceiros contratados pelas empresas é elevado: segundo estudo recente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), 91% das organizações contratam empresas terceiras, um total de 12,7 milhões de pessoas.

Por outro lado, o engajamento de diretores e executivos sênior em medidas antissuborno e corrupção aumentou – 47% afirmam que seu conselho de administração participa ativamente no desenvolvimento de programas voltados a essas questões e 48% dizem o mesmo de seus CEOs.

Os dados do ABC Report revelam que as empresas com equipes de liderança engajadas estão mais propensas a acreditar que os seus riscos de suborno e corrupção permanecerão os mesmos ou diminuirão no ano que vem, além de exibirem mais confiança em sua capacidade de lidar com esses temas.

Segundo Glen Harloff, diretor geral da Kroll para América Latina e Caribe, as empresas brasileiras passaram a se mobilizar para implantar medidas de proteção contra riscos de suborno e corrupção muito mais pelo cenário atual da operação Lava-Jato. As investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal levaram muitas companhias a repensarem seus controles internos para evitar essas ameaças. Muito mais até do que a implementação da Lei 12.846/2013, chamada de Lei Anticorrupção.

Fusões e Aquisições

Outro fator citado pelos respondentes como motivo do aumento dos riscos é a expansão global, especialmente por meio de fusões e aquisições (F&A).

No Brasil, em 2015, foram registradas 1.017 transações, entre anunciadas e concluídas, que movimentaram aproximadamente R$ 241,6 bilhões, segundo o relatório do quarto trimestre de 2015 elaborado pelo Transactional Track Record (TTR) em colaboração com a Merrill Datasite. O número é superior ao de 2014, quando foram registradas 976 F&As. Em 2016, nos dois primeiros meses, já foram contabilizadas 44 transações. No entanto, o relatório da Kroll aponta que pouco mais de 25% dos entrevistados afirmaram que não têm medidas ou programas anticorrupção para M&A ou outros alvos de transação corporativa.

“A experiência da Kroll indica que na maior parte dos processos de fusão, os profissionais de Compliance não são consultados com antecedência no processo de transação, a tempo de exercerem uma influência significativa nas decisões criticas de negócios. A maior participação desses profissionais seria uma forma de minimizar os riscos inerentes”, diz Glen.

O ABC Report também mostrou que 48% dos entrevistados não realizam auditorias de terceirizados, e apenas 34% dizem que fornecem treinamento a eles.

Fonte: ABRH, 10.06.2016...