Rodrigues Jr.

13/04/2016
Hubs flexibilizam jornada e local de trabalho em banco.

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Atrapalhar os colegas, utilizando suas mesas de trabalho, é um recurso ao qual Odilon Cerilo Barbosa Jr., superintendente de corporate banking do Santander, em Curitiba, recorreu várias vezes.

Desde o ano passado, com a implantação das estações flexíveis, isso não foi mais necessário. De passagem pela capital paulista, anteontem, Barbosa Jr. foi até a sede da instituição financeira, no bairro Itaim, e deu expediente em um dos quatro hubs em funcionamento na cidade, projeto-piloto que será estendido ainda este ano para o Rio de Janeiro e depois para outras capitais.

“É de suma importância a disponibilidade de espaço onde podemos trabalhar itinerante de forma segura”, afirma o superintendente. Ele enfatiza que as estações flexíveis facilitam o acesso dos sistemas do banco. “Nesses locais podemos agilizar despachos, pareceres, plataformas de atendimento, intranet, etc. Estar na Torre acelera contatos, reuniões internas, reuniões de negócios com clientes, e as estações flexíveis acabam sendo nosso ponto de referência”, comenta.

Proporcionar mobilidade em uma cidade com graves problemas de trânsito, como São Paulo, é um dos motivos que levou a operação brasileira do Santander, com sede mundial na Espanha e terceira maior instituição bancária privada no País, a adotar as estações itinerantes, iniciativa praticada pelo banco em vários outros países. Vanessa Lobato, vice-presidente de recursos humanos do Santander Brasil, explica que o projeto se insere em uma visão mais ampla na administração de recursos humanos, o flexiworking, conceito que contempla um conjunto de práticas que reforça a preocupação do banco com a busca e a promoção do equilíbrio profissional, pessoal e familiar dos profissionais.

“Na Espanha, os hubs itinerantes servem mais à necessidade de agregar pessoas envolvidas em determinados projetos. Aqui, o fator principal é simplificar a vida dos funcionários que precisam circular de um lado para outro da cidade, sem ter de perder horas no trânsito para cumprir o restante do expediente no dia”, explica a executiva. Ela ressalta que a flexibilização do horário de trabalho é uma das principais demandas que aparecem nas pesquisas com os 45.263 funcionários (mais os 2.112 estagiários) do banco no Brasil. “Os trabalhadores mais jovens valorizam muito a liberdade no cumprimento de horários. Se não levarmos isso em conta em nossas rotinas, perdemos a conexão com essas gerações de colaboradores”, enfatiza. A idade média dos servidores da instituição é de 34 anos.

Banco de horas, compensação de horários para permitir o funcionário sair mais cedo em um dia da semana estão entre as demais ações de flexiworking no Santander. Mas a vice-presidente de RH lembra que a falta de atualização das leis trabalhistas no Brasil dificulta o avanço dessas práticas. “Hoje é impossível contratar determinamos profissionais, como um designer, por exemplo, e enquadrar sua jornada nas regras da legislação atual. A tecnologia permite uma interação grande sem a presença física do colaborador, os recursos são infinitamente maiores do que os existentes décadas atrás”, ressalta. Lobato acrescenta: “Nesse contexto, o esforço das empresas é muito maior para estar compliance com as leis vigentes. É preciso rediscutir os engessamentos das normais atuais”.

Com ela concorda Marcelo Braga, sócio da Search, especializada em recrutamento de executivos. “Não fosse a Consolidação das Leis do Trabalho, de 1945, a flexibilidade seria muito mais comum, principalmente nas empresas cujas atividades, como os bancos, exigem funcionários na rua, visitando clientes. Não faz sentido voltar até a agência para bater o ponto, se é possível trabalhar em outro local, aproveitando o tempo que seria desperdiçado no trânsito”, argumenta. Segundo ele, a busca pela maior mobilidade é tendência das corporações com ênfase em vendas, prestação de serviços, assistência técnica. “Infelizmente, ainda tem muito entre os brasileiros aquela cultura de processar as empresas porque o trabalho foi até altas horas”, completa.

Também faz parte da política de RH do Santander Brasil programas de visibilidade aos jovens talentos, com intercâmbio de vivências e formação em outros países.

Fonte: Diário Comércio Indústria & Serviços, por Liliana Lavoratti, 130.04.2016...